Há poucos dias, Mark Zuckerberg publicou algo no X e fez o que quase todos os gestores de redes sociais fazem por reflexo: pôs o link nos comentários. O responsável de produto da própria Meta respondeu-lhe publicamente a apontar o erro. Se até quem dirige uma das maiores plataformas do mundo ainda segue um mito ultrapassado sobre algoritmos, há uma boa hipótese de a sua empresa também estar a fazê-lo.
O hábito nasceu de uma ideia antiga: publicar um link no post “penaliza” o alcance, porque a plataforma prefere manter as pessoas dentro de casa em vez de as mandar para fora. Fazia sentido há alguns anos. Hoje, para a maioria das redes — e sobretudo no LinkedIn — é uma crença sem fundamento que está, ironicamente, a reduzir o alcance real dos posts.
No LinkedIn, o hábito é ainda mais prejudicial
No Instagram ou no X, pôr o link nos comentários é apenas ineficaz. No LinkedIn é pior do que isso: a vista predefinida de comentários, “Mais relevantes”, filtra automaticamente comentários que contêm links — incluindo o do próprio autor do post. Na prática, o link fica invisível para a maioria de quem vê o post.
O resultado é previsível: a pessoa lê “link nos comentários 👇”, abre a secção de comentários, não encontra nada, e sai sem clicar. Não é o algoritmo a penalizar a marca — é a própria marca a esconder o caminho para a conversão.
Este é o tipo de detalhe técnico que separa quem gere redes sociais por hábito de quem gere com base em como as plataformas realmente funcionam hoje — e é exactamente o que uma equipa especializada em gestão de redes sociais deve estar a monitorizar continuamente.

O link direto no post não trava o alcance
O criador de conteúdo Tom Orbach, autor do artigo original que inspirou este texto, partilhou um exemplo concreto: o post de maior sucesso do seu perfil no LinkedIn — com 333.343 impressões — tinha o link para a sua newsletter diretamente no texto do post, sem qualquer tentativa de “enganar” o algoritmo.
A explicação é simples: o LinkedIn (como a generalidade das redes sociais atuais) avalia sobretudo o que a pessoa diz no post — o gancho inicial, o tempo de leitura, a taxa de comentários e partilhas — muito mais do que a presença isolada de um link. Um post fraco com o link escondido nos comentários continua a ser um post fraco. Um post forte com o link à vista continua a ter alcance.
Porque é que o mito persiste
Três razões explicam por que este hábito ainda domina, mesmo entre profissionais experientes:
- Memória institucional desatualizada. A regra “sem links no post” foi válida nalgumas plataformas, nalguns momentos — e ficou colada à cultura de social media mesmo depois de deixar de se aplicar.
- Falta de teste A/B real. A maioria das equipas nunca comparou, com os próprios dados, um post com link direto contra um post com “link nos comentários”. Segue-se a regra porque “sempre se fez assim”.
- Aversão ao risco. É mais confortável seguir uma prática comum do que testar algo que pode (aparentemente) reduzir o alcance — mesmo que os dados mostrem o contrário.
O algoritmo mudou — e o nosso conselho também
Em junho de 2025, escrevemos sobre uma diretriz que o Facebook chegou a sugerir aos gestores de página: colocar o link no primeiro comentário em vez de na legenda, citando dados da própria Meta na altura.
Volvido um ano, o cenário mudou em dois pontos:
- No X, o próprio responsável de produto da Meta veio corrigir publicamente quem ainda segue essa lógica — inclusive o CEO da empresa.
- No LinkedIn, o comportamento é claramente diferente do que descrevíamos para o Facebook: a vista “Mais relevantes” esconde comentários com link, o que torna a tática do “primeiro comentário” contraproducente nesta rede.
A lição não é que estivéssemos errados em 2025 — é que os algoritmos mudam, e a estratégia certa depende sempre da rede e do momento. É por isso que continuamos a acompanhar estas mudanças de perto e a atualizar a nossa recomendação sempre que os dados o justificam, em vez de repetir a mesma regra ano após ano.
O que fazer a partir de agora
- Escreva o link diretamente na legenda. Não há penalização real a evitar.
- Invista as primeiras linhas num gancho forte. É isso, não a ausência de link, que decide se o post é distribuído.
- Deixe de depender do “link nos comentários”. No LinkedIn, corre o risco real de ficar invisível por causa da vista “Mais relevantes”.
- Meça o CTR real dos seus posts, não pressupostos herdados de outras équipas ou de anos anteriores.
Perguntas frequentes
Colocar o link no post reduz mesmo o alcance no LinkedIn?
Não há evidência atual disso. O LinkedIn avalia principalmente o desempenho do conteúdo do post — tempo de leitura, comentários, partilhas — e não penaliza especificamente a presença de um link no texto.
Porque é que o link nos comentários “desaparece” no LinkedIn?
Porque a vista predefinida de comentários, “Mais relevantes”, filtra automaticamente comentários que contenham links, incluindo os do próprio autor do post — tornando-os praticamente invisíveis para a maioria dos utilizadores.
Esta regra aplica-se a todas as redes sociais?
O comportamento varia por plataforma, mas a tendência geral em 2026 é a mesma: as redes preferem avaliar a qualidade do conteúdo do post a penalizar automaticamente a presença de um link. Vale sempre testar com os dados da própria conta.
Como posso confirmar isto na minha própria página empresarial?
Compare, num período de 2 a 4 semanas, posts equivalentes com o link direto no texto e posts com “link nos comentários”. Meça alcance, CTR e conversões — não apenas impressões.
Artigo adaptado com base em “‘Link in the comments’ is dead” de Tom Orbach, Marketing Ideas.

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